Archive for Setembro 2015

Laudato si' - um chamado à Ecologia Integral

Prezado(a) colega,

Laudato si’, a encíclica ecológica e social do Papa Francisco, vem tendo grande impacto no mundo todo por sua capacidade de valorizar temas caros aos que lutam pela conservação do meio ambiente, pela sustentabilidade e pela justiça social. Francisco, com seu modo de ser e de se expressar, repropõe a questão em sua dimensão ética, associando-a a uma espiritualidade aberta a todos, em oposição à predação da natureza, ao individualismo e ao consumismo, afirmando que conservação ambiental, qualidade de vida e combate à pobreza estão sempre juntos.

Nesta perspectiva, a encíclica pode ajudar e fortalecer o trabalho de cientistas, técnicos e engenheiros, advogados, educadores, profissionais de mídia, líderes sociais e todos os demais que se dedicam à questão ambiental. Para desenvolver esta contribuição, dentro do evento “Laudato si’ – um chamado à ecologia integral” (programa anexo ou em http://feculturapucsp.blogspot.com.br/) nos encontraremos em grupos temáticos, com o intuito de criar uma rede de reflexão e trabalho conjunto. Partiremos, após uma rápida introdução, para este trabalho conjunto, das perguntas:

Quais são os princípios norteadores, alinhados à mensagem da Laudato si’, que podem orientar o ecossociodesenvolvimento no Brasil de hoje?
Quais luzes a encíclica pode lançar sobre a sustentabilidade ambiental e a redução de pobreza?

O encontro será realizado na terça-feira, 29 de setembro, das 17 às 19 horas, na PUC-SP. Inscrições devem ser feitas pelo e-mailfecultura@pucsp.br, dando nome, área de atividade, formação e tema de interesse (p.ex. ética, espiritualidade, educação, ciência e tecnologia, combate à pobreza, relações internacionais). Contamos com sua participação e colaboração na divulgação desta proposta a seus amigos e colegas de trabalho. Serão emitidos atestados de participação aos interessados. Também podemos fazer um outro convite, com termos mais específicos, vinculados ao cargo, à instituição e até a chefias imediatas para aqueles que necessitarem.

Prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto
Núcleo Fé e Cultura - PUC-SP

Prof. Dr. Arnaldo J. de Hoyos
Cátedra Ignacy Sachs -
PUC-SP

Prof. Dr. Marcos Vinicius de Campos
Rede de Ação Política pela Sustentabilidade

Profa. Dra. Consuelo Y. M. Yoshida
Grupo de Pesquisa Ordem Política, Econômica
e Social e o Meio Ambiente -
PUC-SP

Mesas redondas


O COMPROMISSO ÉTICO, POLÍTICO E ECONÔMICO COM O MEIO AMBIENTE NA LAUDATO SI’
Cardeal Odilo P. Scherer, Rubens Ricupero (ex-ministro do Meio Ambiente e Secretário Geral da Organização Internacional para o Comércio, conselheiro da RAPS, Rede de Ação Política para a Sustentabilidade), Ladislaw Dowbor (economista, PUC-SP, Cátedra Ignacy Sachs para o Ecossociodesenvolvimento), Consuelo Yoshida (juíza, PUC-SP, Direito Ambiental), Giovana Girardi (jornalista especializada em meio ambiente, jornal
O Estado de São Paulo).
Ø  29 de setembro, terça-feira, das 19h30 às 22h30. TUCA, R. Monte Alegre 1024, Perdizes


PROPOSTAS DE PROJETOS ALINHADOS À MENSAGEM DA LAUDATO SI’
Arnoldo de Hoyos (PUC-SP, NEF e Cátedra Ignacy Sachs para o Ecossociodesenvolvimento), coordenadores de Grupos de Pesquisa da PUC-SP e outros especialistas
Ø  30 de setembro, quarta-feira, das 9h às 12h. Auditório 239 PUC-SP Perdizes, R. Monte Alegre 984, Perdizes


TECNOLOGIA E ECOLOGIA NA ENCÍCLICA DO PAPA FRANCISCO
Dom Carlos Lema Garcia (Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade), Francisco Borba Ribeiro Neto (sociólogo e biólogo, Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP), Marcelo Barroso (engenheiro ambiental, ISITEC), Giuseppe Renato di Marzo (engenheiro, PUC-SP), Cristiana Fusco (diretora do campus de Ciências Exatas, PUC-SP), Paulina Chamorro (jornalista especializada em meio ambiente, Rádio Eldorado)
Ø  30 de setembro, quarta-feira, das 20h30 às 22h.Auditório PUC-SP Consolação, R. Marquês de Paranaguá 111


ESPIRITUALIDADE E MEIO AMBIENTE NA LAUDATO SI’
Cardeal Cláudio Hummes, Márcia M. Cabreira (geógrafa, PUC-SP), Marlise Bassani (psicóloga ambiental, PUC-SP), Edison Veiga (jornalista, jornal O Estado de São Paulo)
Ø  1 de outubro, quinta-feira, das 20h30 às 22h. Auditório PUC-SP Santana, R. Voluntários da Pátria 1653 

Serão emitidos atestados aos participantes que se inscreverem pelo e-mail fecultura@pucsp.br 

REALIZAÇÃO
·  Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
·  Núcleo Fé e Cultura da Coordenadoria de Pastoral Universitária
·  Núcleo de Estudos do Futuro
·  Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional (NACI)
·  Núcleo Configurações Contemporâneas da Clínica Psicológica
·  Cátedra Ignacy Sachs para o Ecossociodesenvolvimento
·  Grupo de Pesquisa Ordem Política, Econômica e Social e o Meio Ambiente
·  Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (GEPI)
·  Grupo de Pesquisas em Desenvolvimento e Política Econômica (DEPE)
·  Grupo de Pesquisa para o Desenvolvimento Humano (PDH)
·  Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Interdisciplinaridade na Educação
·  Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (Campus Consolação)

·  Rede de Ação Política para a Sustentabilidade (RAPS)

APOIO
·  O Estado de São Paulo
· Jornal O São Paulo, Arquidiocese de São Paulo
·  Revista O Mensageiro de Santo Antônio
·  Paulinas Editora



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Compartilharmos nossas esperanças mais do que a nossa indignação

Marcos Gregório Borges é filósofo e um dos fundadores do grupo Coração Novo para um Mundo Novo dedicado ao trabalho integrado entre movimentos e novas comunidades na perspectiva de uma maior presença cristã na vida pública. Participa como colaborador nas atividades do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

O Brasil vive uma gravíssima crise política, com um dos maiores escândalos de corrupção de nossa história. O país atravessa uma recessão econômica, tendo que suportar um duro ajuste fiscal. Entretanto, talvez nos cause maior perplexidade vermos o governo e o congresso nacional, diante deste difícil cenário, travarem uma terrível queda de braço por poder, onde interesses pessoais se sobrepõem ao bem comum.

Diante desta situação, nos sentimos indignados, queremos fazer alguma coisa, desejamos que algo aconteça, que justiça seja feita. Assaltam-nos perguntas do tipo: O que temos que fazer? O impeachment é a solução? E a reforma política? Precisamos de novas lideranças, mas onde elas estão? Afinal de contas, qual é o meu papel em tudo isso? Eu posso fazer alguma coisa? E o que eu fizer, vai resolver alguma coisa?

As manifestações contra o governo, no domingo, 16 de agosto, mesmo que não tenham sido tão grandes como as de 15 de março, foram um sinal claro de insatisfação popular. Mas esta insatisfação já se tornou evidente nas pesquisas de opinião pública, nas conversas informais ou nas análises políticas.

Podemos dizer que as pessoas vivem um momento em que compartilham sua indignação, que se manifesta das formas mais diversas. Mas a indignação por si mesma não é capaz de construir nada. Quando levada ao extremo, ela pode gerar a desesperança à medida que ela nos faz acreditar que não há uma luz no fim do túnel.

O Papa Bento XVI, na Spe salvi, nota que a esperança não é um olhar ilusório sobre o futuro, mas o reconhecimento de algo já presente e que tende a crescer. Ela nasce de experiências humanas concretas que são construtoras de humanidade, que renovam em nós a alegria de sermos humanos. Uma mãe, que em meio a uma situação social desfavorável é capaz de educar e criar o seu filho com todo carinho e amor, dando a ele a esperança de um futuro melhor, um profissional, que realiza o seu trabalho da melhor maneira possível porque sabe que existe outra pessoa que necessita do fruto do seu trabalho, um militante que se esforça para servir ao bem comum.

Quando vivemos e compartilhamos estas experiências, por mais simples que sejam, percebemos que a vida vale a pena e encontramos o sentido da caminhada. Estas pequenas experiências precisam, sem dúvida, de encontrar formas políticas de se expressarem, mas são fundamentais para que não nos percamos em jogos de poder e discursos ideológicos que não constroem a novidade que prometem.

Neste tempo somos convidados a compartilhar a nossa esperança, permitindo que ela nos vincule uns aos outros à medida que reconhecermos a humanidade na experiência do outro, construindo uma unidade em torno de uma mesma esperança compartilhada. Desta experiência surge naturalmente um anseio comum por participação na construção de algo novo, e é neste momento que as verdadeiras mudanças podem acontecer. Não se trata de, ingenuamente, negar as dificuldades da realidade, mas de perceber na vida compartilhada os sinais que nos indicam por onde sair da crise. A força do povo não pode nascer de discursos ideológicos, que mais cedo ou mais tarde se mostram ilusórios, mas da partilha dos gestos concretos de construção de uma nova realidade. Por isso, compartilhemos as nossas esperanças mais do que a nossa indignação.

Jornal "O São Paulo", edição 3066, de 27 de agosto a 02 de setembro de 2015.

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